quinta-feira, 23 de agosto de 2018

se viemos até aqui, vamos dançar


descobri que era lésbica pelas outras pessoas. sempre digo que fui, discretamente, tirada do armário. a colega de alemão que me dava carona até a porta de casa. não precisa entrar na quadra, aqui está bom. ´imagina, pra você, o serviço é completo.´ achava estranho aquela sapatão nissei dando em cima de uma hétero.

só fui perceber-me muitos anos depois. dando em cima de outra hétero, inclusive. acabamos tendo um rolinho. com ela dizendo que não era lésbica. nem eu, meu bem.

agora, as macumbas. por anos, tendo de conviver com a fama de macumbeira sem ter feito nada. mas parece que está fluindo. não gosto dos banhos, estragam o cabelo. mas o resto é tipo cozinhar. cortar quiabo. comprar velas.

meu primeiro dia de atendimento individual passou incrivelmente rápido. não senti nem fome. foi tudo muito natural.

madrinha ligou quando cheguei em casa. bebia cerveja. disseram que, no outro dia, eu acordaria com dores no corpo. pois acordei ótima. saí com a crush, me diverti.

parece que o reinado de libra acabou mesmo, dando lugar para gêmeos. amém, geminianas.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

marciana

não têm sido tempos fáceis para leoninos. esse monte de eclipse. inferno astral e tudo mais. prevendo tudo isso, decidi que ia sofrer com dignidade. duas semanas doente, uma doença atrás da outra, sem reclamar. li em algum lugar que não devemos compartilhar nossas dores. pois não compartilhei com ninguém. sofri de pé.

hoje, marte ingressou lindo em capricórnio. fiz meu primeiro ebó. o primeiro oficial, pelo menos. relacionado ao livro que não tenho conseguido mais largar. mil páginas que pesavam em mim, até, né, hoje, ter a ideia de despedaçá-lo para ter sempre comigo.

conheci todas as lojas de macumba da região. já criei amizades e inimizades. e não posso negar que venho aqui só para destravar a escrita. faltam só 5 capítulos. um mês para terminar. conseguiremos.

agora, preciso lidar com essa moça, que quero tanto que tenho medo de estragar. lembrei a metáfora do amigo-libriano, de estar saindo com alguém que chega com os defeitos em uma caixinha. cada dia, mostra um papelzinho. só queríamos abrir a caixa toda logo, para saber o final. se vamos dar ou não vamos dar. será lindo se dermos. são tantas coisas em comum. a astrologia aprovaria.

amei a forma como você se apresentou. adoro gente desinibida. estava de olho em você há tanto tempo. mas não vou te contar ainda. vamos no seu ritmo.

abrindo o vinho que ganhei de aniversário. um brinde a esta lunação. que os voduns nos abençoem.