quinta-feira, 10 de abril de 2014

caje

daí que, depois de um mês sem nada de dinheirio, chegou a hora de lavar o carro. aquele cheiro de "novo", mesmo após 2 anos, havia sido substituído por uma mistura de cerveja, terra e outros odores indecifráveis. o "lava-jato" do trabalho foi desativado. então, vamos encarar a fila do posto dali do lado.

acordei cedo e fui. havia dois carros na frente do meu. entreguei a chave e entrei na loja de conveniência, que tinha um ar-condicionado polar perfeito. sentei. estudei. socializei com a curitibana ao lado. xinguei os atendentes da seguradora do celular. já haviam passado quase duas horas. era muito tédio e aquela geladeira enorme me olhando e, assim, foram duas latinhas, ignorando o aviso de que não era permitido beber naquele recinto e tendo passado, ao chegar, por uma mesa, do lado de fora, com três pessoas e uma centena de latas vazias em cima da mesa. de primeiro, pensei "que desocupados". daí, percebi que era inveja. óbvio. quem está reunido com os amigos para beber, em plena terça-feira, *de manhã* (mas não cedo o suficiente para ser uma volta da balada).

teria sido um dia como outro qualquer se não tivesse recebido, naquele mesmo dia, um e-mail convocando-me para os exames periódicos de saúde, no trabalho. nossa, não entendi por que todo mundo reclama tanto, fiquei feliz da vida em saber que poderia fazer uma verificação geral da saúde sem pagar nada. essas coisas de "hipocondríaca preventiva". enfim. confirmei que queria, sim, fazer todos os exames. então, precisava preencher o questionário.

morri de orgulho de ser essa pessoa da cartilha, que come direito, faz atividades físicas 5x na semana, pratica hobbies e todas essas outras coisas que as pessoas deprimidas em recuperação fazem. só que, então, veio esse grupo de perguntas, de um tal questionário "caje", que eu ignorara até então, mas, depois de responder a todas as perguntas afirmativamente (só mentalmente, claro), percebi que, realmente, talvez, eu tenha alguma questão relacionada ao alcoolismo.

gosto (ou não) de chamar de tristeza crônica (algo a ver com tristeza, mas sem ser depressão, se é que isso faz sentido para você), que é, automaticamente, rebatida com esse estado extático que o álcool nos proporciona. nada contra as drogas, mesmo, mas nada me faz tão bem quanto uma bebida. e isso tanto não é da minha cabeça que já ouvi de outras pessoas: "prefiro você bêbada". pois, eu também.


(1) Você já pensou em largar a bebida?
(2) ficou aborrecido quando outras pessoas criticaram o seu hábito de beber?
(3) se sentiu mal ou culpado pelo fato de beber?
(4) bebeu pela manhã para ficar mais calmo ou se livrar de uma ressaca (abrir os olhos?). 

Nenhum comentário:

Postar um comentário